julia dantas

Sou editora, tradutora e doutora em Escrita Criativa pela PUCRS.

Meu romance de estreia, Ruína y leveza, de 2015, foi finalista do prêmio Açorianos e do Prêmio São Paulo de Literatura, além de ter sido selecionado para o Programa Nacional do Livro Didático alguns anos depois.

Ela se chama Rodolfo, meu segundo romance, venceu o Prêmio Livro do Ano da AGEs e o prêmio da Academia Rio-Grandense de Letras nas categorias de narrativa longa.

Em 2024, publiquei A mulher de dois esqueletos, romance híbrido que foi semifinalista do prêmio Oceanos.

Agora, em 2025, estou lançando em livro Pássaros de cidade, folhetim originalmente publicado online na revista Parêntese.

Após três anos atuando na preparação de originais da editora Dublinense e depois de concluídos meus estudos acadêmicos, senti o desejo de trabalhar diretamente com autores para ajudar a fazer de seus livros as melhores versões que poderiam ser.

Para isso criamos a Baubo.

Fred Linardi

Sou mestre e doutor em Escrita Criativa pela PUCRS e autor do livro Onze estreias (O Grifo, 2022), vencedor do Prêmio Literário Cidade de Manaus.

Meu universo literário gira em torno das narrativas biográficas e autobiográficas – as histórias em que a vida real encontra as diversas possibilidades da criação. Durante anos, escrevi e editei livros de memórias familiares e empresariais pela Editora Biografias & Profecias, experiência que moldou meu olhar sobre o modo como cada trajetória pede sua própria forma de ser contada.

Os contos também atravessam minha escrita. Com eles, fui premiado no Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães e no Concurso de Contos Paulo Leminski, além de integrar diversas antologias do gênero.

Entendo o ofício literário como um trânsito constante entre o silêncio da escrita e a escuta do processo criativo. É dessa combinação que nasce meu trabalho como professor, mentor e leitor crítico: um espaço de diálogo lúcido, voltado a fortalecer a autonomia de cada pessoa em seu caminho de criação.

Caroline Joanello

Sou doutoranda em Escrita Criativa pela PUCRS e uma verdadeira viciada em oficinas de escrita, saraus e grupos de leitura. Minha maior paixão é enxergar em cada texto as suas potencialidades.

Fui produtora de filmes e teatro por boa parte da vida, até entender que literatura era a minha vocação. Durante três anos trabalhei como ghostwriter, principalmente de conteúdos online, e como designer editorial. Por cinco anos, integrei o time da Livraria Bamboletras, um marco cultural e turístico de Porto Alegre, onde pude aprofundar ainda mais meus conhecimentos de literatura.

Tenho diversos contos publicados em antologias e revistas. Sou uma das organizadoras da antologia Vigílias, lançada em 2021. Em 2020, fui uma das vencedoras do Edital Arte como Respiro – Literatura – Itaú Cultural.

Atualmente vivo em Porto Alegre e preparo o meu primeiro romance, Assombrada, pela Editora Zouk, no prelo.

A DEUSA BAUBO

Baubo é uma deusa grega anciã, considerada a deusa do ventre, do riso e das obscenidades. As imagens que a reverenciam e representam são escassas, o que levanta a hipótese de que o culto a Baubo foi esquecido durante os anos de guerras e conquistas, e definitivamente soterrado sob a cultura patriarcal. Hoje, resta uma única narrativa que a tem como personagem. É a história de Deméter e Perséfone.

Deméter, a deusa da fertilidade, deu à luz Perséfone. No início da puberdade, Perséfone foi raptada por Hades e levada ao submundo para viver com ele. Deméter ficou inconsolável e, depois de perder as pistas do paradeiro da filha, lançou à Terra sua maldição: não haveria mais vida sobre o planeta enquanto ela não reencontrasse Perséfone.

Certo dia, exausta e deprimida, Deméter parou junto a um poço para chorar. Foi ali que ela viu Baubo: uma figura sem cabeça, com olhos no lugar dos seios e boca no lugar da vagina. Baubo fez festa, contou piadas sujas, levantou a saia numa travessura — e assim fez Deméter rir novamente.

Sentindo-se renovada , Deméter conseguiu resgatar sua filha firmando um acordo com Hades: Perséfone passaria metade do ano com a mãe (período que criaria na Terra a primavera e o verão) e a outra metade no submundo (e a saudade de Deméter causaria o outono e o inverno).

Para nós, Baubo representa a ajuda necessária para a criação. Ela é a força que pode auxiliar no enfrentamento de  algum bloqueio ou a angústia da insegurança. Baubo nos ensina a confiar nos caminhos que escolhemos. A obscenidade de Baubo é aquela do corpo e da mente livres, é a da arte não submissa. Baubo representa o conforto dentro da própria pele e a alegria criadora — da vida e da arte.